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ZÉ RAMALHO 2026 – SHOW DOS SUCESSOS
Zé Ramalho chega aos 77 anos de vida com uma posição única na música popular brasileira. É um momento de comemoração, e também de consolidação da sua presença sempre inquieta, criativa e antenada.
Antes mesmo de seu lançamento como artista profissional com seu histórico primeiro álbum Zé Ramalho — a que os fãs ainda hoje se referem como “o disco do Avôhai” —, Zé Ramalho já acumulava realizações poéticas e musicais, tendo participado de bandas de rock em João Pessoa e publicado literatura de cordel (Apocalypse Agalopado, 1975).
O imenso sucesso do disco de estreia ajudou a definir as linhas principais de sua imaginação criadora: o rock, a música regional, a poesia popular do Sertão nordestino, o misticismo, a crítica social, o realismo fantástico e o psicodelismo. Elementos que ao longo destes 77 anos de vida ele se dedicou a cultivar e a fundir à sua maneira única e pessoal.
O impacto de seus primeiros álbuns surpreendeu a crítica musical e arrebatou o público. Os anos 1970 foram a época de uma grande “chegada” de artistas nordestinos nos palcos do Rio e São Paulo. Dentro dessa constelação de brilhos, a poética de Zé Ramalho reluzia com luz própria e uma estranheza que chamava a atenção. Neste início, já estava bem nítida a presença impositiva no palco, a voz ora irônica, ora cavernosa, a batida segura na cadência roqueira e o balanço agitado do forró.
A força mais sedutora estava nas letras, cuja poética rica e inesperada ajudou a fazer da obra de Zé Ramalho uma referência obrigatória na história do psicodelismo e da contracultura na MPB. O universo poético de Zé Ramalho bebe tanto no folk-rock como nos violeiros do Vale do Pajeú, despertando associações, memórias ancestrais e lampejos futuristas misturados a intuições tão antigas quanto as pedras sertanejas.
E não somente o compositor. O intérprete Zé Ramalho, entre 1991 e 2022, lançou uma série de álbuns-homenagem onde absorve e recria a obra de artistas que o marcaram quando jovem: Brasil Nordeste, Nação Nordestina, Zé Ramalho canta Raul Seixas, Zé Ramalho canta Bob Dylan – Tá Tudo Mudando, Zé Ramalho canta Luiz Gonzaga, Zé Ramalho canta Jackson do Pandeiro e Zé Ramalho canta Beatles.
São décadas de uma criação musical em que compositor e intérprete se completam, pois todo intérprete musical traz para perto de si o que de algum modo se harmoniza com seu espírito,
sua voz e sua intenção de canto. O próprio Zé Ramalho costuma dizer, sobre uma música alheia que pretende gravar: “Calma, ainda estou ramalheando a música pra deixar no ponto”.
O “ponto” é a sua combinação única de discurso poético, presença de palco, voz inconfundível e repertório raro de influências bem assimiladas.
Nestes 77 anos, ele produziu uma obra de mais de 30 álbuns, atingindo a expressiva marca de 6 milhões de cópias vendidas — com destaque para o CD duplo 20 Anos: Antologia Acústica (1997), que ultrapassou 1 milhão de cópias.
Do disco do “Avôhai” até o álbum mais recente, Ateu Psicodélico, Zé Ramalho construiu uma estrada de canções cujo sucesso não se esgota na novidade; pelo contrário: torna-se mais sólido com o passar do tempo. Para o público fiel que consolidou ao longo da jornada, receber um novo show ou um novo disco de Zé Ramalho é reencontrar algo único, uma experiência que vai além dos rótulos e dos gêneros musicais: “uma espécie de pacto de fidelidade que se renova ano a ano”.
Braulio Tavares
Ingressos disponíveis em https://bileto.sympla.com.br/event/123361