Do Outro Lado do Rio em São Paulo - Cia Peixes Voadores

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Detalhes

Espetáculo infantil de Do Outro Lado do Rio; peça reflete sobre nossa relação com a natureza e o tempo


 


Explorando a linguagem do poema para se aproximar das infâncias e refletir sobre a relação do ser humano com a natureza e o tempo, a Cia Peixes Voadores apresenta o espetáculo Do Outro Lado do Rio.


 


Com direção de Maria Alencar e dramaturgia e música original de Luane Sato, o trabalho cria uma oposição entre a cidade e o tempo natureza. Na trama, uma onça sente uma estranha coceira no peito e se junta à sábia Velha Ventania para encontrar uma criança cujo coração também está inquieto. Juntas, as três precisarão desvendar um grande mistério.


 


“Nossa pesquisa começou com os arquétipos que achávamos interessantes. A partir dessa ideia, imaginamos figuras que seriam vistas como ‘improdutivas’ na sociedade atual, como os idosos, as crianças e os animais. Decidimos, então, explorar a relação desses personagens com o tempo”, conta Luiza Kehdi, que assina o dramaturgismo e está no elenco ao lado de Tchô Salgado.


 


Na construção do texto, uma das principais referências para o grupo foi o poeta Manoel de Barros (1916-2014) e a sua “Didática da Invenção”, inspirada no pensamento para as infâncias. Para o autor, quando a criança está entendendo o mundo, ela se expressa de uma maneira diferente de um adulto, podendo dizer frases como “eu escuto a cor dos passarinhos”, fazendo o que ele chamou de “delírio do verbo”.


 


Nesse contexto, a gramática se transforma em brinquedo, recosturando o mundo a partir de um olhar menos objetivo e mais afetivo. “Assim, na nossa peça, os adultos estão convidados a revisitar o imaginário infantil”, acrescenta Luiza.


 


Sobre a encenação


O trabalho busca despertar no público o encantamento pelas delicadezas da vida. Por isso, Do Outro Lado do Rio é construído a partir de jogos de palavras e do estímulo ao brincar. Em cena, ora os atores assumem o papel de narradores, ora se tornam personagens.


“A peça está em um constante estado de suspensão temporal. Ela acontece no presente, mas em um tempo diferente, mais lento — não ligado ao real, e sim ao onírico. Criança, onça e velha têm as suas próprias temporalidades, que vão se misturando”, comenta Maria Alencar, diretora do espetáculo.


Essa atmosfera se reforça pela sonoridade, através de composições e canções, uma camada essencial da dramaturgia e da encenação. Tudo é executado ao vivo por Juh Vieira e Luane Sato, que tocam instrumentos como pandeiro, bumbo, pífano e baixo elétrico. A direção musical é de Rodrigo Mercadante.


No cenário, prevalecem adereços cênicos em vez de uma estrutura fixa, com foco no simbólico e na dramaturgia da imagem, dentro de um processo artesanal. A direção de arte é de Lucas Lopes, pesquisador e artista visual, que trabalha com a proporção dos objetos em diálogo direto com o olhar e a imaginação das crianças. Em diálogo com a direção, o artista e bonequeiro Paulo Farah deu forma à Velha Ventania — personagem que passa mais tempo dormindo do que acordada e carrega a memória dos tempos antigos —, explorando variações de tamanho: ora pequena como a brisa, ora gigante como a ventania. Outro elemento cênico que brinca com as dimensões são as casas que representam a cidade, minúsculas diante da criança e dos atores.


Durante todo o espetáculo, os espectadores são convidados a entrar na cumplicidade do jogo teatral, de modo sutil. O espetáculo convida o público a descansar o olhar.


Sinopse:


De um lado do rio, uma onça acorda no meio da noite sentindo uma coceira estranha no peito. Inquieta, procura a Velha Ventania - aquela que tece o tempo. Do outro lado do rio mora uma criança que acorda no meio da noite porque seu coração treme. A Dona Onça e a Velha Ventania escutaram o coração da criança e terão que atravessar o rio. Como desvendar um coração que treme?


Mini bio Cia. Peixes Voadores


A Cia Peixes Voadores nasceu na Universidade Estadual de São Paulo (UNESP), em 2023, no curso de Arte-Teatro, com o interesse em pesquisar teatro para as infâncias. Investigar a infância enquanto potência poética e de transmutação é levar a sério o impacto do brincar em todas as idades. Tem como primeira criação teatral a peça “Do outro lado do rio”, que estreou o Palco Praça do iBT (Instituto Brasileiro de Teatro) com temporada de outubro a novembro de 2025. Em março de 2026, realizaram outra temporada no Teatro Ique.


 


Ficha técnica:


Idealização: Cia. Peixes Voadores


Direção: Maria Alencar


Elenco: Luiza Kehdi e Tchô Salgado


Dramaturgia e música original: Luane Sato


Dramaturgismo: Luiza Kehdi


Musicistas: Juh Vieira e Luane Sato


Direção Musical: Rodrigo Mercadante


Direção de arte: Lucas Lopes


Bonequeiro: Paulo Farah


Aderecistas: Laura Alves, Selma Lourenço


Bordados (figurinos): Maria Alencar


Iluminação: Fagner Lourenço


Costureira: Bárbara Alves


Produção geral: Luiza Kehdi e Maria Alencar


Assistência de produção: Kauã Tripoloni


 



Ingressos disponíveis em https://bileto.sympla.com.br/event/120065

Local

Btg Pactual Hall
R. Bento Branco De Andrade Filho,722

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